Cem dias! Parece pouco tempo quando olhamos para o calendário. Mas, dentro da Microsoft, esses primeiros 100 dias foram intensos e repletos de aprendizados que vão muito além do que eu poderia ter imaginado.
Bom, essa não é a minha primeira vez aqui. Durante minha primeira passagem, lá em 2012 trabalhando no Lançamento do SQL Server, fiquei alguns meses para executar este projeto específico. Mas desta vez é diferente. A missão é muito mais ampla, o contexto é outro e a tecnologia evoluiu de uma forma que nenhum de nós poderia prever há dez ou quinze anos. Tirando os pesquisadores que já estavam olhando para a IA Generativa, quem mais arriscava que a arquitetura de Transformers iria fazer tanto barulho e movimentar o mercado como fez?
Agora, ocupo o cargo de Diretor Técnico para iniciativas de Inteligência Artificial da Microsoft no Brasil, à frente do programa de Frontier Firms, com o objetivo de transformar e melhorar a experiência dos nossos cliente através de soluções de IA cada vez mais estratégicas e impactantes.
Aprendendo todos os dias: A cultura Microsoft de dentro
Voltando alguns anos, quando entrei no Itaú, eu li o livro Os Primeiros 90 dias que me ensinou a ouvir e aprender muito antes de tomar qualquer decisão quando chegar em uma nova empresa.
Foi o que fiz. E a primeira coisa que vi na Microsoft foi que aprender é uma responsabilidade coletiva, mas comigo sendo o protagonista do meu aprendizado. Percebi que não existe a ideia de que você já sabe tudo… Muito pelo contrário!
Nos primeiros dias, me dediquei a entender os processos internos, os rituais de comunicação e os frameworks de trabalho. Cada conversa com um colega era uma aula, literalmente. Cada reunião entendia uma nova camada de como a empresa funciona. Mais do que a tecnologia em si, fui impactado pela cultura de crescimento. Senti que a Microsoft valoriza profundamente o conceito de growth mindset e lifelong learning. A capacidade de aprender é mais valiosa do que o conhecimento fixo que você já possui.
Isso resoou profundamente comigo, conectando com o que vivi recentemente nos estudos durante o doutorado. Não tentei chegar com respostas prontas. Cheguei com perguntas. E isso fez toda a diferença!
O ecossistema de Parceiros: Quem está ao lado dos Clientes
Um dos desafios desse período foi entender como o ecossistema de parceiros Microsoft funciona na prática, com o olhar de dentro. Já fui parceiro antes, na época da Lambda3 eu respondia como Chief Data Officer da empresa, e fizemos vários projetos em clientes junto da Microsoft. Mas agora é diferente, estou do outro lado da mesa.
Os parceiros não são apenas revendedores ou integradores técnicos. Eles são, via de regra, uma extensão do time de vendas e delivery da Microsoft. Apesar de não ser o meu time que se envolve nos engajamentos diretos de parceiros em clientes, eu preciso conhecer o processo para usar isso da melhor forma possível. Neste período passei a ver os parceiros não como intermediários, mas como aliados estratégicos. São eles que estão no dia a dia com os clientes, traduzindo a visão tecnológica da Microsoft em projetos reais de transformação.
Conversei com alguns parceiros nesses 100 dias. Comecei a entender que o meu papel também é de apoiar esses parceiros, e isso está no meu plano para 2027! Quero ajudar para que eles possam entregar IA com qualidade, velocidade e relevância de negócio, mas principalmente, alinhado com os objetivos estratégicos e de valor dos clientes.
Visitas a Clientes: Conversas estratégicas sobre o futuro da IA
Se tem uma demanda desse período que me deixou feliz de forma especial, foi sem dúvida, as visitas a clientes para discussões estratégicas de IA. Minha nova função envolve uma proximidade com os clientes, buscando entender seus desafios, co-criando estratégias e fortalecendo parcerias que possam gerar resultados e valor real.
Na prática, isso significa sentar com CEOs, CIOs, CAIOs, CTOs e diretores de diferentes setores… varejo, finanças, saúde, educação, agro… e falar sobre IA de forma que vai muito além da tecnologia. Falamos sobre modelos de negócio, sobre reorganização de processos, sobre o que muda quando os agentes de IA passam a operar de forma autônoma dentro de uma empresa. Estratégia e geração de valor!
Essas conversas me ensinaram muito (lembra do lifelong learning e growth mindset que comentei lá no começo do texto?). Vi que o maior obstáculo para a adoção de IA não é técnico, eu já tinha essa visão antes, mas agora reforçou. O grande desafio é cultural e estratégico. As empresas querem resultados, mas ainda estão descobrindo quais perguntas fazer. E é justamente aí que entra o meu papel. Acredito que a Inteligência Artificial baseada no uso analítico de dados deve resolver problemas reais de negócio, não ser apenas uma tecnologia sem propósito.
Não é Tech-by-Tech, temos que saber os ponteiros de negócios que estamos impactando. Inclusive, para isso, recomendo a leitura do livro Apaixone-se pelo problema, não pela solução.
Programas internos para entregar projetos nos Cliente
Outro eixo fundamental desses 100 dias foi entender os programas voltados a entregar projetos de IA para os clientes. São muitos programas, ainda preciso de ajuda com isso e sempre recorro a alguém que conhece mais do assunto.
A Microsoft tem um monte de programas internos para isso. Desde incentivos financeiros até suporte técnico especializado, passando por frameworks de co-venda e estratégias de go-to-market. Entender esse ecossistema de dentro é essencial para que eu possa contribuir de forma relevante.
O Microsoft AI Cloud Partner Program é o principal meio pelo qual a Microsoft engaja e investe em seu ecossistema de parceiros para realizar os projetos nos clientes. O programa reúne tudo que você precisa ao longo de todo o ciclo de vida do parceiro, incluindo onboarding, capacitação, estratégias de go-to-market, co-selling e incentivos. Em algumas situações, o cliente está pronto, o parceiro está preparado, mas o caminho entre os dois ainda não está suficientemente claro. Parte do meu trabalho é encurtar esse caminho, conectando os dois. Ao menos acho que é!
Bom, o que vem pela frente
Cem dias são apenas o começo. Aprendi muito, mas sei que ainda há muito mais pela frente.
O mercado de IA no mundo, e obviamente no nosso contexto do Brasil, está em um momento singular… As empresas já passaram da fase do questionamento e estão agora na fase da ação. Niunguém mais duvida que a IA vai ajudar, resta agora saber como tirar da POC e levar pra produção! E é justamente nessa fase que o tipo de trabalho que fazemos aqui na Microsoft mais importa.
Continuarei visitando clientes, aprendendo com parceiros, fortalecendo a liderança técnica e ajudando a construir pontes entre a visão estratégica da Microsoft e a realidade dos negócios brasileiros.
Porque, no fim, a IA mais poderosa do mundo não serve a nada se não resolver o problema de um cliente real.
E é exatamente isso que me motiva a seguir em frente!
Esta é uma reflexão honesta do que vivi até aqui, nestes meus primeiros 100 dias na Microsoft. Vamos ver como será o FY27 🙂
Imagem de capa: Foto no logo da Microsoft, tirada durante o MCAPS Start em Julho/2026 – Seattle/WA.

